Afinal, você faz o que gosta, ou gosta do que faz? Difícil pergunta. Talvez mais difícil seja a resposta para ela. Mas, acredito que podemos pensar juntos em uma resposta convincente até o final desta leitura.

No início da vida profissional ou de um trabalho em uma empresa nova, estamos empolgados, vislumbrando uma carreira promissora. Tempos depois murmuramos: “Essa rotina me aprisiona, estou exausto!” ou “Não faço diferença nenhuma aqui!”. Penso que a nossa relação com a empresa em que trabalhamos tem a mesma dinâmica que uma relação amorosa. A paixão desenfreada do início transforma-se na monotonia do dia-a-dia. O compromisso perde a força. Nós perdemos a hora. O trabalho perde a cor.

Descobrimos a infelicidade em nosso trabalho quando começamos a procrastinar, a não acreditar em mudanças ou progressos. Quando começamos a desenvolver problemas físicos e emocionais e tantos outros males e sintomas que nosso cérebro insiste em utilizar para nos mostrar que é hora de refletir, parar e dar sentido à nossa jornada de trabalho. Afinal, é possível um trabalho onde eu faça exatamente o que eu gosto?

Nem sempre é possível fazer de nossa vocação, fonte de renda e de prazer. Devemos buscar esse ideal, mas concluímos sabiamente que não será fácil. Os compromissos se acumulam. Temos que ganhar a vida! Há uma família para sustentar, escola, prestações, plano médico. Amadurecemos! E é justamente essa maturidade que deve nos ensinar a gostar do que fazemos. Viver a vida em busca de fazer o que se gosta pode nos desviar do prazer de se gostar do que faz. É um exercício de aprendizagem.

Seu trabalho é apaixonante e faz sentido para seu projeto de vida? O que faz lá contribui para o mundo e eleva sua autoestima? Se fosse bilionário, continuaria fazendo o que faz, mesmo não sendo assalariado? Pense nisso, procure respostas e bom trabalho!

Em uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de RH, quase metade dos trabalhadores não gosta do que faz. O estudo ouviu seis mil pessoas e, no total, 48% responderam que são infelizes no trabalho. É um número alto, mas podemos mudá-lo se estivermos comprometidos com a busca de encontrar prazer no que fazemos ao invés de buscarmos fazer exclusivamente o que gostamos.

Por: Patrícia Simões Sena Soares
Em: http://www.rhevistarh.com.br/portal/?p=17280

Sobre a Autora:

Patrícia Simões Sena Soares é Psicóloga organizacional, psicanalista e palestrante há 16 anos. Atua ativamente na área de  treinamento e desenvolvimento de pessoas, elaborando projetos de melhoria e ferramentas de gestão. Também trabalha como psicóloga clínica e desenvolve ações de Qualidade de Vida para os colaboradores da organização em que atua.

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