longo da minha carreira como profissional de atração de talentos, tenho sido abordada com certa freqüência por pessoas que foram convidadas a participar de processos seletivos e gostariam de saber o que elas devem responder na hora da entrevista (ou como devem se comportar na dinâmica de grupo) para serem bem sucedidas.

A minha resposta tem sido sistematicamente a mesma: a verdade.

Numa entrevista o candidato precisa deixar claro qual é a sua verdade. Nada de mentiras. Elas não se sustentam por muito tempo e os recrutadores estão atentos a estas armadilhas.

O melhor caminho para ser bem sucedido em processos seletivos é ser você mesmo e não cair na tentação de “representar um papel” ou tentar “adivinhar” o que o selecionador quer ouvir. Estas estratégias não funcionam. Elas são, na verdade, o caminho mais curto para você não ser aprovado no processo seletivo.

E para estar preparado para responder a verdade sobre você, um fator essencial é o autoconhecimento. Quanto mais a pessoa se conhece, mais ela tem condição de dar respostas assertivas no processo seletivo, com os detalhes necessários, deixando claro as ações que competiam a ela e os resultados que alcançou.

E tão importante quanto falar dos resultados que atingiu é também falar sobre o que não deu certo. Na vida, a gente não acerta 100% do tempo. Não adianta querer esconder estes fatos da sua trajetória profissional. Opte por contar o que realmente aconteceu, o que aprendeu com isso e o que fez para evitar que este mesmo tipo de situação voltasse a acontecer.

O autoconhecimento também lhe ajudará a fugir das chamadas “frases feitas”, do tipo “meu maior defeito é ser perfeccionista”, “não me permito errar”, “consigo me adaptar a tudo”, “meu problema sempre foi trabalhar demais”. Este tipo de frase depõe contra a sua verdade e não contribui para a credibilidade das suas respostas. Fica um discurso mecanizado, meio robótico e que não comunica quem você é realmente.

Outro ponto de atenção no momento da entrevista é não se vitimizar. Evite um discurso de que foi prejudicado e de que o mundo é injusto com você. É hora de olhar para frente e ser protagonista da sua história. E uma forma de exercer o protagonismo na sua trajetória profissional é aproveitar o processo seletivo para fazer você também uma avaliação: Esta é a empresa a qual você quer pertencer? Os valores que ela pratica vão ao encontro dos seus valores pessoais? Você a admira? Por que quer trabalhar nesta empresa?

Eu costumo dizer que processo seletivo é uma via de mão dupla, uma fase para os dois lados se conhecerem melhor: é o momento para a empresa avaliar o candidato, mas também é uma oportunidade preciosa para o candidato avaliar a empresa.

E se ao final, mesmo sendo coerente com a sua verdade, você não for o candidato escolhido, isso não significa que você fez algo de errado ou que você não seja bom o bastante. Significa, apenas, que você não era o perfil que a empresa estava buscando naquele momento (pode ser que seja em outro), para assumir os desafios que ela tinha para aquela função.

E cá entre nós, melhor que se chegue a esta conclusão no processo seletivo, não é mesmo?

Principalmente em tempos de crise, que sabidamente a concorrência está maior, bem como o tempo para recolocar-se, pode parecer tentador ser aprovado em um processo seletivo a qualquer custo, sem fazer as suas próprias avaliações (processo de mão única, onde só a empresa avalia o candidato).rhrevista_post

Esta, sem dúvida, é uma decisão que compete a cada um, mas quanto mais o tempo passa, mais estou convencida de que os melhores resultados para ambos os lados são alcançados quando o candidato e a empresa se propõem, genuinamente, a avaliar a outra parte.

TEXTO DISPONÍVEL EM: http://www.rhevistarh.com.br/portal/?p=16751

e-Mail: si_figueiredo@yahoo.com.br

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