por Marcelo Samogin, Diretor da Remunerar

O primeiro quadrimestre do ano é uma época propícia para se falar de bônus, premiações, participação nos resultados.

Então decidimos reunir alguns “bulltes” que junta nossa vivência neste tema e reune movimentos de mercado que nos chamam a atenção. Esperamos que o conteúdo provoque boas reflexões junto aos envolvidos na gestão de RH e meritocracia nas empresas.

“Golden Parachutes”, uma breve história

O cenário são os anos 90 nos Estados Unidos. Havia no mercado uma onda de fusões e aquisições acontecendo em setores diversos da economia. Um movimento comum de consolidação de empresas que aconteceu no mundo todo.  Algumas empresas que faziam aquisições, interessadas em proteger executivos seniores das empresas compradas, fixavam “sistemas de indenizações” para tranquilizar os executivos de empresas compradas ou incorporadas.

Certamente que esta estratégia pode ser entendida como uma forma de proteger também segredos de negócios que estariam nas cabeças dos executivos. Além de criar um ambiente protetivo, tal prática evitaria que uma mudança na diretoria das empresas adquirentes, da noite para o dia, colocassem os executivos das empresas compradas no olho da rua, seis ou doze meses após a aquisição. De forma simplificada, esta prática ficou conhecida como “Golden Parachutes”. Numa tradução grosseira, paraquedas de ouro. Embora este nome não nos provoque grandes associações, a prática ficou registrada na história, por outros motivos.

Como motivo relevante associado à prática podemos citar casos em que os executivos de empresas compradas acabaram sendo demitidos por práticas não éticas de gestão e questões de fraudes, e mesmo assim receberam fortunas como “premiações” previstas nos contratos por indenizações de saída. Uma prática aparentemente esperta ou justa, que em razão de cenários não previstos ficou mais famosa pela distorção que provocou em sua execução.

Clique no link a seguir para acessar mais detalhes:

https://hbr.org/2016/10/a-short-history-of-golden-parachutes

O caso da Vale em Brumadinho

Recentemente a mídia brasileira noticiou que o presidente afastado da Vale e mais três diretores serão desligados definitivamente e deverão receber algumas dezenas de milhões de reais pela decisão do conselho da empresa em desligá-los em breve em razão do desastre causado pelo rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho.

Independente dos motivos, práticas de negócios éticas ou não éticas, ou outras constatações, o caso da Vale é emblemático. A tragédia do rompimento da barragem em janeiro de 2019 que provocou mais de 200 mortos foi o motivo de saída do presidente e seus diretores.

Pela reportagem dos jornais, não ficou claro se os executivos tinham um contrato de “golden parachutes”, ou se os contratos deles previam um tempo de quarentena ou afastamento do mercado deles por 12 ou 24 ou 60 meses de forma indenizada, alias prática comum no mercado. Mesmo se tratando de uma empresa com ações em bolsa de valores no Brasil e no exterior, trata-se de uma condição confidencial de contratação. O fato é que mesmo o desligamento sendo motivado por uma tragédia com mortes, ainda será paga uma fortuna como indenização.

Clique no link a seguir para acessar a reportagem:

https://www.valor.com.br/empresas/5619899/braskem-bradesco-e-itau-revelam-os-ganhos-milionarios-do-alto-escalao

https://www.bloomberg.com.br/blog/mesmo-em-nova-fase-vale-mantem-salario-de-executivos-em-segredo/

Sem compliance, sem bônus

Depois do tsunami de casos envolvendo grandes empresas no Brasil, o tema compliance tem ganhado valor por aqui. Petrobras, BRF, J&S e Odebrecht viram seus negócios ameaçados e forçados a formalizarem acordos de leniência no Brasil e no exterior para manterem suas operações.

Internamente segundo reportagem de um site econômico há atualmente um esforço para incluir regras – ou pênaltis – na concessão de bônus vinculados ao cumprimento do compliance, algo entre até 30% numa das empresas e até 50% para outra. Ou seja, resultados econômicos são bem vindos desde que tenham sido obtidos de forma ética e honesta. Totalmente justo e correto.

A mesma reportagem trás dados sobre o efetivo de pessoal trabalhando com compliance e auditorias nessas empresas, indicando que as empresas expandiram e muito o tamanho desta área, tanto em quantidade de pessoas quanto investimentos em treinamentos, comunicação e modernizações.

Há questões de fundo. Se todo o investimento será suficiente para vencer o jeitinho de fazer negócios nesses setores da economia, que há décadas funcionam na base da indicação e do relacionamento promíscuo, juntando forças empresariais e políticos com interesses duvidosos. Lembrando que onde um não quer, dois não fazem. Sabemos que onde há corrupção, há corruptos e corruptores.

Outra questão mais sensível ainda. Que tipo de exemplo o CEO de sua empresa pode lhe dar se ele próprio se envolveu anos com práticas pouco éticas, o inverso do compliance. Em alguns os executivos justificam que se não fosse este estilo de fazer negócios a empresa não teria o porte e importância econômica. Algumas empresas da reportagem decidiram não mais fazer pagamentos em dinheiro a fornecedores e também fazerem contratações no mercado com duas áreas sendo responsáveis pela cotação. São práticas razoáveis, ainda que a demonstração de nova postura seja louvável, temos que lembrar que há corruptores e corruptos.

Muitas reflexões ainda podem e poderão ser feitas em torno deste tema nas empresas da reportagem e em outras.

Clique no link a seguir para acessar a reportagem.

https://www.infomoney.com.br/carreira/gestao-e-lideranca/noticia/8174480/executivo-ja-perde-bonus-por-meta-de-compliance

Planos de ações ou opções

Tenho visto no mercado discussões sobre pagamentos de bonificação, possivelmente por conta da época do ano. No primeiro trimestre acontece a apuração dos resultados, que são consolidados, auditados e divulgados referentes ao ano fechado. Recorrentemente o tema bonificação é explorado pela imprensa.

Com 14 anos, meu primeiro emprego foi como boy interno, no Bradesco, Cidade de Deus, em Osasco. Naquela época, você era admitido como funcionário do banco e recebia como cortesia 1000 ações preferenciais do Banco.  Engana-se, portanto, que um plano de ações ou opções é uma iniciativa competitiva como bom método de retenção exclusivamente voltada para cargos de gestão, diretores e acima.

Preços dos imóveis em San Francisco e os IPO´s

A mídia tem noticiado os avanços das empresas do Vale do Silício e seus planos de abertura de capital (IPO) em bolsa de valores. Estamos falando de Uber, Pinterest e outros. Há uma certa expectiva e um temor em torno deste tema e que impactos teriam no mercado imobiliário da Baia de São Francisco, uma macro região que envolve entre outras cidades, Palo Alto, San Jose, San Matteo, São Francisco do Sul e a própria São Francisco.

Há uma expectativa de que os IPOs tornem funcionários detentores de opções de ações em milionários da noite para o dia, e o temor é que os novos milionários provoquem um boom nos preços dos imóveis na região. A suposição dos agentes de mercado é uma parte desses funcionários estejam realmente dispostos a exercerem seus direitos de vendas de ações ou parte delas com o objetivo de comprar imóveis. Apenas como registro, o custo de vida bem como preço dos imóveis na macro região de São Francisco é o segundo mais caro do USA, e perde apenas para Nova York.

Clique no link a seguir para acessar o debate.

https://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2019/04/24/uber-enfrenta-imposto-sobre-ipo-em-sao-francisco-dividida.htm

https://www.curbed.com/2019/3/19/18271522/san-francisco-real-estate-tech-ipo-airbnb-uber

https://www.marketwatch.com/story/will-a-blockbuster-year-for-tech-ipos-lead-to-even-higher-home-prices-for-san-francisco-2019-02-05

Convite : Estudo salarial Remunerar

Neste ano estamos pesquisando no mercado 125 cargos, benefícios e práticas de RH. Participe sem custo, envie seus dados acessando o link abaixo. Não comercializamos dados salariais, o estudo é uma iniciativa patrocinada pela Remunerar para entender a dinâmica de mercado e identificar tendências de gestão de RH.

Para participar do estudo acesse: http://remunerar.com.br/estudosalarial/

Sobre o autor

Marcelo Samogin, Diretor da REMUNERAR, consultoria especializada em remuneração estratégica e soluções de meritocracia. Nos últimos 30 anos atuou como profissional especialista em remuneração e executivo de RH nos segmentos de indústrias B2B e B2C, prestação de serviços e varejo de luxo. Fundou e lidera desde 2011 a consultoria REMUNERAR que atendeu mais de 50 clientes e projetos exclusivos de meritocracia desde 2011. Professor convidado da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG) e Fundação Dom Cabral (FDC PAEX) para os temas Gestão de Pessoas e Remuneração Estratégica. Ex diretor do Grupo de Remuneração e Benefícios da AAPSA. Coordenador do Grupo de Remuneração Estratégica da ABRH-SP Região Oeste. Formado em Economia pela PUC-SP com especialização em RH na FGV-SP e MBA na FIA-USP.

Sobre a Remunerar

A REMUNERAR tem por missão desenvolver soluções inteligentes de remuneração e recompensa que transformem os desafios de produtividade e crescimento de seus clientes em oportunidades para obterem resultados diferenciados através das pessoas.

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